Kart vintage, o mundo das “velharias” e das boas histórias

Kart vintage

Bem, é com prazer que aqui estou, convidado pelo Bruno Escarim para escrever um pouco sobre karts vintage, modelos e a história de cada um deles, bem como sobre algumas corridas históricas no kartismo brasileiro. Mas antes, precisamos de uma apresentação, não é?

Pois bem, Marcelo Afornali, muito prazer.

Sou nascido em 14 de Julho de 1971, muitas das peças que restaurei em minha vida já eram antigas quando nasci.

Trabalho profissionalmente com restauração há duas décadas, mas sempre trabalhei com restauro e sempre gostei de antiguidades.

Em minha vida, restaurei de tudo um pouco: Bicicletas, motocicletas, telefones, carros e agora karts de competição, todos antigos.

Então vamos ao que interessa.

Sempre estive muito ligado à competição, tanto que em 1980 fazia companhia a meu pai Danilo Afornali quando este ia para Interlagos atender ao nosso piloto das TZ’s 350 de Mundial, Adilon Mendes e futuramente, Ubiratan Rios.

TZ 350 Yamaha

TZ 350 era uma motocicleta desenvolvida pela Yamaha nos anos 70 e 80, própria para a prática do esporte. Motor 2 tempos com 350cc, desenvolvia pelo menos 80 cavalos. Aqui no Brasil teve campeonatos regulares incluindo o Brasileiro, que findou-se com o desinteresse da Yamaha em continuar exercendo a categoria no Brasil.

Nesta época, eu, então uma criança, brincava nos box com o Alexandre Barros que futuramente seria nosso representante no Mundial das 500cc e depois MotoGp nos anos 2000.

Estou velho!!!

Em 1984, tive acesso as corridas de kart com câmbio, já que meu pai começou a atender os Fórmula 180 que hoje são considerados a primeira categoria de câmbio no Brasil.

F180 Skol

O Fórmula 180 usava motor da Yamaha DT 180 com preparação e escape livre, chegando nos últimos anos de Campeonato (1996) a quase 50 cavalos de potência (original 16,5). Nos anos de 1987, foi desenvolvido um kart próprio para a categoria, usando chassi especial da MINI e um motor Agrale de 30 cavalos e 200cc. A F-180 mesclou-se então à categoria 200, tornando-se no Paraná, a Fórmula 180/200.

A partir daquele momento comecei a trabalhar efetivamente no kart, primeiro como ajudante e depois, desmontando pneus.

Mini Inter

Ganhei em meados da década de 90 um kart MINI modelo Inter de 1980, kart que comecei a praticar o kartismo. Diverti-me muito, aprendi demais e comecei a andar de 125cc por volta de 1994, pretendendo aprender mais sobre a tocada do kart atual para futuramente correr na Fórmula 180/200.

F180

Já em 1996, competi oficialmente com os mesmos karts de câmbio que trabalhei e tendo assim o assessoramento do meu pai, Danilo Afornali, que naquela época já era Multi-Campeão da categoria como preparador.

Acabei sendo Campeão neste ano, e nos anos seguintes como não houve mais nenhum Campeonato Oficial, fiz algumas provas esporádicas.

Os anos passaram e voltei a estudar dando ênfase à disciplina de História, matéria que sempre gostei. Mesmo depois de formado, sempre estava juntando algum “caco”, seja ele bicicleta, motocicleta ou mesmo um “kart véio”.

Aprendi a usar da minha profissão para pesquisas na internet, livros, fotografias e tudo mais, acabei por largar a sala de aula para poder “dar conta” de tudo que enviavam à minha oficina.

Por fim, profissionalmente, quase duas décadas trabalhando com restauração!!!

Obrigado e sejam bem vindos ao mundo das “velharias” e das boas histórias que contarei!!!

  • Luiz Cazarré

    Bem-vindo Marcelo Afornali, muito bom ter uma coluna falando dos kart vintage. Andei de F200 em 1996 também, o bichinho era bom de andar, hein? Forte abraço, Cazarré. https://uploads.disquscdn.com/images/24b0a343c54a5c0ac4387c062133cb8cddce7d9a0983c98a5d5bbde8a9568374.jpg

    • Marcelo Eduardo Afornali

      Grato Cazarré!!!

  • SF Almeida

    Boa sorte na nova missão de colunista! Ficamos no aguardo das histórias, afinal, todo restauro tem suas aventuras que vão desde achar o objeto até o final da obra e o intervalo disso é um caminho longo e cheio de aventuras nas mais diversificadas áreas e contato com inúmeras e ilustres pessoas. Provavelmente você deve ter muita historia pra contar.

    • Marcelo Eduardo Afornali

      Agradeço Sf Almeida, muito obrigado pela acolhida…

  • Alex Campo

    Seja bem vindo e boa sorte nesta nova jornada jornalistica! é otimo poder ler sobre as historias de nosso automobilismo, saber de onde vem aquelas palavras e nomes que hoje usamos sem saber de onde vieram e por que vieram

    Marcelo, nesta epoca existiam mutias categorias no kartismo? você nos escreve sobre uma categoria de cambio, esta era aberta para mudança no cambio? relação por exemplo?

    []’s

    • Marcelo Eduardo Afornali

      Alex, existiam poucas categorias nos anos 60: Categorias 100, 125 e 200cc… No final dos anos 60 surgiu ainda a 250cc. Com relação a câmbio, a preparação dos F-180 na época, era limitada somente a cilindro e carburação, nada mais, não podendo adicionar material algum, ou seja, era super hiper mega limita
      do…